As palavras convencem; o exemplo, arrasta. Quem sabe faz; quem não sabe, ensina! Osório (“Não se comanda homens livres. Basta mostrar-lhes o caminho do dever!”)
Não ficava na retaguarda, mandando os seus soldados para a luta. Valente general de vanguarda, ficava na linha de frente, ao lado dos seus comandados, tão temerário que montava um cavalo branco. (Os soldados de linha de frente preferiam os escuros, que se confundiam com a paisagem. Cavalos brancos eram muito visíveis, fáceis de serem detectados pelo inimigo, bons de fazer pontaria... Napoleão também montava um cavalo branco... mas ficava na retaguarda, no meio dos seus soldados de elite, longe do palco da luta). Quem manda os outros morrer não pode temer a morte. Não é por nada que o gaúcho Osório é o Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro.
Não poderia ser outro!
“Osório foi o primeiro a pisar o território inimigo, à frente do seu piquete. Criticado por isso, pelos ‘estrategistas de cafés’, declarou: ‘Pedi soldados; deram-me paisanos para combater. Eu precisava mostrar aos meus comandados que era capaz de ir até onde os mandava. Eu precisava exemplificar a coragem’.” (Gen. J. O. Pinto Soares – O gaúcho)
***
Para Carlos Alberto Basto Moreira, o exército norte-americano nunca teve uma cavalaria nos moldes clássicos da época, como foi a cavalaria gaúcha.
“Osório foi o primeiro a pisar o território inimigo, à frente do seu piquete. Criticado por isso, pelos ‘estrategistas de cafés’, declarou: ‘Pedi soldados; deram-me paisanos para combater. Eu precisava mostrar aos meus comandados que era capaz de ir até onde os mandava. Eu precisava exemplificar a coragem’.” (Gen. J. O. Pinto Soares – O gaúcho)
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Para Carlos Alberto Basto Moreira, o exército norte-americano nunca teve uma cavalaria nos moldes clássicos da época, como foi a cavalaria gaúcha.
Haja visto a ausência total de lanças no seu armamento. Mesmo o uso de carabinas pelos soldados, a galope, só seria possível sob o comando de John Wayne...
Sobre a valentia do general Osório, comandando a cavalaria gaúcha, vale a pena ler as palavras de Carlos Alberto Basto Moreira:
“Em Little Big Horn, o fatídico massacre de Custer e sua ‘cavalaria’ evidenciou-se a displicência com que este tipo de tropa montada americana tratava os princípios básicos do emprego de cavalaria... ou não conheciam. Este episodio pode ter sido muito épico para o nacionalismo americano e cultuado até hoje, mas se Custer não tivesse morrido teria enfrentado uma corte marcial que lhe arruinaria a carreira.
Em contrapartida, no hemisfério Sul, mais precisamente nas guerras de pendências da fronteira sulina brasileira, bem como na Revolução Farroupilha e, principalmente, na Guerra da Triplice Aliança se usava a cavalaria conforme os princípios utilizados na Europa, em grande estilo, arte, planejamento e execução... em enormes efetivos , embora os brasileiros não saibam.
O revolucionário Garibaldi, após ter participado da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, voltou à Europa. Lá, tornou-se um famoso e vitorioso "condottiere'' na guerra de unificação da Itália. Certa ocasião, em um momento difícil desta guerra que chefiava, teria dito de como se lamentava por não ter consigo ‘pelo menos um esquadrão da cavalaria do Rio Grande’... Algo muito o impressionou, certamente.
Ah! Pobre de nós que conhecemos Rin Tin Tin, o tenente Rip Master, o cabo Rusty e o forte Apache, mas desconhecemos a existência de um regimento de lanceiros negros, escravos libertos da cavalaria do Rio Grande do Sul, que se rendeu a Caxias na batalha de Poncho Verde e que, por serem tão exímios e bravos foram imediatamente incorporados ao seu exercito como unidade constituída, de imediato, com soldo regular.
Pobre de nós que visualizamos um épico em Custer... e desconhecemos um velho soldado que perdeu três cavalos numa só tarde, tomou um tiro na boca, amarrou o maxilar com um lenço e permaneceu até o final no campo de batalha, sob o imenso temporal que se abateu naquela tarde, sendo saudado pelos regimentos que passavam a galope de carga, aos brados de ‘Viva o general Osório!’
Falácia das falácias, esta cavalaria americana foi criada por Hollywood e embutida nas mentes de povos incultos da sua própria Historia. Carece pois, os Estados Unidos, de duas coisas que caracterizam uma grande civilização: ter uma culinária própria, no presente... e uma cavalaria heróica, no passado.
A cozinha francesa, a cozinha inglesa, a cozinha espanhola, a cozinha russa, a cozinha árabe e suas respectivas cavalarias... quem nunca ouviu falar? E a cozinha americana? É do Mac Donald ou do Bobs, tanto quanto sua cavalaria foi a da Metro, da Paramount ou da 20 th Century Fox.”
***
Gestos heróicos, como o do General Osório, que mesmo ferido a bala no queixo permaneceu montado, na frente dos seus regimentos, debaixo de forte temporal, não foram raros nas revoluções sulinas. Há milhares de exemplos que passaram despercebido pela história devido à modéstia dos seus protagonistas; outros, são lembrados até hoje, como o que Marcos Ferreira de Gusmão testemunhou pessoalmente.
No excelente livro Notícia dos combates de capão do Mandiju e Estância dos Figueiredos, Fernando O. M. O’Donnell narra os detalhes da morte do coronel libertador Aníbal Padão, durante a Revolução de 23:
“Ferreira Gusmão contou ter visto Padão inúmeras vezes galopar contra as trincheiras atirando de revólver. Voltava para recarregar a arma e galopava novamente, desafiando a pontaria dos adversários. Padão era um alvo fácil. Combatia sempre a cavalo, sem dispensar seu pala branco. Dessa identidade valeu-se seu filho Aníbal Padão Filho para lhe fixar a imagem sob a ‘couraça / que seu corpo revestia / nos avanços que fazia / por debaixo da fumaça’.” (2)
O Coronel Aníbal Padão foi ferido de morte, por um balaço nas costas, no dia 26 de junho de 1923. Continua O’Donnell:
“Percebendo o momento crucial, Mário Garcia encostou-se a Padão, já muito pálido, a galopar em direção a sua gente, e o amparou até que um ajudante, saltando na garupa de seu cavalo, pôde abraçar-lhe o corpo meio pendente que se apegava aos últimos alentos para manter o prumo sob o tecido traiçoeiro das balas. Mesmo sem morrer, vendo desarticularem-se os seus, insistia em se manter no posto, pedindo que o deixassem morrer a cavalo. O progétil varara o tórax; saíra no peito; propiciara ao sangue despejar-se como um rubro pavilhão avinhado.(3) Era o fim. Pouco depois expirava num catre do primeiro rancho que encontraram por perto.” (4)
Suas últimas palavras, provavelmente dirigidas a Mário Garcia, a pessoa que o amparou quando recebeu o ferimento mortal, foram as seguintes: “Estou ferido; morro e morro já.
Sobre a valentia do general Osório, comandando a cavalaria gaúcha, vale a pena ler as palavras de Carlos Alberto Basto Moreira:
“Em Little Big Horn, o fatídico massacre de Custer e sua ‘cavalaria’ evidenciou-se a displicência com que este tipo de tropa montada americana tratava os princípios básicos do emprego de cavalaria... ou não conheciam. Este episodio pode ter sido muito épico para o nacionalismo americano e cultuado até hoje, mas se Custer não tivesse morrido teria enfrentado uma corte marcial que lhe arruinaria a carreira.
Em contrapartida, no hemisfério Sul, mais precisamente nas guerras de pendências da fronteira sulina brasileira, bem como na Revolução Farroupilha e, principalmente, na Guerra da Triplice Aliança se usava a cavalaria conforme os princípios utilizados na Europa, em grande estilo, arte, planejamento e execução... em enormes efetivos , embora os brasileiros não saibam.
O revolucionário Garibaldi, após ter participado da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, voltou à Europa. Lá, tornou-se um famoso e vitorioso "condottiere'' na guerra de unificação da Itália. Certa ocasião, em um momento difícil desta guerra que chefiava, teria dito de como se lamentava por não ter consigo ‘pelo menos um esquadrão da cavalaria do Rio Grande’... Algo muito o impressionou, certamente.
Ah! Pobre de nós que conhecemos Rin Tin Tin, o tenente Rip Master, o cabo Rusty e o forte Apache, mas desconhecemos a existência de um regimento de lanceiros negros, escravos libertos da cavalaria do Rio Grande do Sul, que se rendeu a Caxias na batalha de Poncho Verde e que, por serem tão exímios e bravos foram imediatamente incorporados ao seu exercito como unidade constituída, de imediato, com soldo regular.
Pobre de nós que visualizamos um épico em Custer... e desconhecemos um velho soldado que perdeu três cavalos numa só tarde, tomou um tiro na boca, amarrou o maxilar com um lenço e permaneceu até o final no campo de batalha, sob o imenso temporal que se abateu naquela tarde, sendo saudado pelos regimentos que passavam a galope de carga, aos brados de ‘Viva o general Osório!’
Falácia das falácias, esta cavalaria americana foi criada por Hollywood e embutida nas mentes de povos incultos da sua própria Historia. Carece pois, os Estados Unidos, de duas coisas que caracterizam uma grande civilização: ter uma culinária própria, no presente... e uma cavalaria heróica, no passado.
A cozinha francesa, a cozinha inglesa, a cozinha espanhola, a cozinha russa, a cozinha árabe e suas respectivas cavalarias... quem nunca ouviu falar? E a cozinha americana? É do Mac Donald ou do Bobs, tanto quanto sua cavalaria foi a da Metro, da Paramount ou da 20 th Century Fox.”
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Gestos heróicos, como o do General Osório, que mesmo ferido a bala no queixo permaneceu montado, na frente dos seus regimentos, debaixo de forte temporal, não foram raros nas revoluções sulinas. Há milhares de exemplos que passaram despercebido pela história devido à modéstia dos seus protagonistas; outros, são lembrados até hoje, como o que Marcos Ferreira de Gusmão testemunhou pessoalmente.
No excelente livro Notícia dos combates de capão do Mandiju e Estância dos Figueiredos, Fernando O. M. O’Donnell narra os detalhes da morte do coronel libertador Aníbal Padão, durante a Revolução de 23:
“Ferreira Gusmão contou ter visto Padão inúmeras vezes galopar contra as trincheiras atirando de revólver. Voltava para recarregar a arma e galopava novamente, desafiando a pontaria dos adversários. Padão era um alvo fácil. Combatia sempre a cavalo, sem dispensar seu pala branco. Dessa identidade valeu-se seu filho Aníbal Padão Filho para lhe fixar a imagem sob a ‘couraça / que seu corpo revestia / nos avanços que fazia / por debaixo da fumaça’.” (2)
O Coronel Aníbal Padão foi ferido de morte, por um balaço nas costas, no dia 26 de junho de 1923. Continua O’Donnell:
“Percebendo o momento crucial, Mário Garcia encostou-se a Padão, já muito pálido, a galopar em direção a sua gente, e o amparou até que um ajudante, saltando na garupa de seu cavalo, pôde abraçar-lhe o corpo meio pendente que se apegava aos últimos alentos para manter o prumo sob o tecido traiçoeiro das balas. Mesmo sem morrer, vendo desarticularem-se os seus, insistia em se manter no posto, pedindo que o deixassem morrer a cavalo. O progétil varara o tórax; saíra no peito; propiciara ao sangue despejar-se como um rubro pavilhão avinhado.(3) Era o fim. Pouco depois expirava num catre do primeiro rancho que encontraram por perto.” (4)
Suas últimas palavras, provavelmente dirigidas a Mário Garcia, a pessoa que o amparou quando recebeu o ferimento mortal, foram as seguintes: “Estou ferido; morro e morro já.
Tome conta dessa gente.
Reorganize-a e a incorpore.
Não a deixe dissolver!... Não me tirem do cavalo.
Quero morrer no meu posto!”
Conciente ou inconcientemente estava repetindo o gesto de Artigas, que na hora da morte ordenou:
“Tragam meu mouro. Quero morrer de a cavalo!”
Garcia tinha por apelido João Barriga.
Garcia tinha por apelido João Barriga.
Desde solteiro morava com a família do Coronel Aníbal Padão, sendo criado pela esposa, Dona Thomazia, como filho. E como filho, amigo, companheiro e guarda-costas, companhou o seu chefe até as portas da morte.



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Na condição de descendente do grande general Aníbal Padão,não poderia aqui furtar-me de deixar meu comentário, externando minha grande admiração pelo nosso grande coronel libertador...homem honrado que fazia-se seguir e obedecer mais por exemplos que por palavras...homens como o general Aníbal Padão fazem muita falta ao Brasil de hoje.Nós,da nova geração da família Padão,temos feito o possível para manter a honra e a tradição que nos foi legada por este inesquícel vulto histórico que tanto engrandeceu e honrou sua missão libertadora.
Diego Padão
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